sol, praias cheias, família, crianças, músicas.
dois medos, um real, outro ontológico, o medo dos outros, diferentes, o medo dos deuses, irascíveis, o pavor diante do mundo, ilimitado.
sacrifícios são urgentes. pagar a milícia, aplacar os desígnios divinos. e entre uns e outros, os intermediários, o capanga, o pastor, o político, cada um com sua bandeja.
ofereço partes de mim, reféns, deuses do lar. aguardo uma retribuição generosa, milagres para as dores dos corpos e dos espíritos, para a solidão, para a morte.
as eleições são uma data sagrada, tempos feriados de troca e comércio, de campanha. nas urnas se negociam futuros seguros, favores próximos ou distantes, se escolhem os celebrantes.
segunda-feira, praias vazias.
mas como cobrar, depois das batalhas, os despojos, as promessas de guerras e comícios?
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