Memoria
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
Silvos
Atento, escuto silvos e repetidos apitos agudos, deslocados ruídos permeando a cidade e sua noite, em começo, refletindo suas notas semelhantes contras as luzes dos edifícios e os escuros de suas pálpebras e janelas dormidas.
Intervalo, a cada tempo, espera o retorno, sem origens definidas, escapando aos ouvidos curiosos.
Da cozinha, panelas, trincadas e jatos de água anunciam fornadas de bolo, cheiro da laranja recém cortada e movimentos sutis, a luz acesa na mesa de madeira escura, veios e riscos.
Aguardo que as palavras me confiem a tranquilidade, desloquem a angústia noturna, causas em valores maiores, apenas um seco paladar, um delicado aperto e um zumbido no ouvido esquerdo.
Imagino a viagem feita, aguardada, inseguro o passo a passo, o desconhecido panorama, o caminho sem direção e sem mais sentido.
Agosto 2016
quinta-feira, 20 de junho de 2024
Labirinto
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
domingo, 9 de junho de 2024
quinta-feira, 14 de março de 2024
A porta fechou
Entreaberta a porta, toquei de leve a campainha, que mal sussurrou o seu despertar, bing bong, refletida em vazio nas paredes do apartamento, algo normal, de falta repetida e da ausência, quando sua voz surda apagava o destino.
A luz da manhã fazia um trilho de poeira que se depositava sobre o tapete de sisal, marcado de pés, cerveja e cigarros e rompia o silêncio das coisas, lentamente dissolvendo as ultimas falas e gozos abandonados no ar.
A cama permanecia desfeita de outros encontros, o lençol lançado ao chão, os travesseiros amassados, a luz acesa do banheiro refletida no espelho rachado de tantos sonhos de olhar.
Havia também uma cozinha, escura, de copos sujos, restos de comida e panos de prato falando de amor e sexo.
Lá fora, carros acelerados atropelavam a rua estreita, porteiros de porta em porta, na esquina, em longos fileiras, toma-se café e pão com manteiga encostados ao balcão de mármore.
Se olharmos em profundidade, esticando o pescoço na janela, o mar acontece no final da rua, em Copacabana.
Nada mais restava, fechei a porta e fui embora.
2024