quinta-feira, 17 de março de 2016
Batalha
Primeira feiticeira- Quando no’s três nos encontraremos novamente: no trovão, no relâmpago, ou na chuva?
Segunda feiticeira- Quando houver acabado o tumulto, quando a batalha estiver perdida ou ganha.
Terceira feiticeira- Isto acontecera’ antes do por do sol.
……
Todas- O belo e’ feio e o feio e’ belo! Pairemos por entre a a névoa e ao ar impuro!
Macbeth
ato primeiro
Estamos em plena campanha. Em plena guerra. O observador distraído, Fabricio, distante da ordem da batalha, mesmo situado no alto da colina, não consegue descrever os movimentos dos batalhões em combate, se em fuga, se em vito’ria, apenas acompanha aturdido os penachos tremulando nos elmos dos orgulhosos cavaleiros. O sol já esta’ no meio do céu, a poeira, a fumaca e a névoa encobrem a visão das partes e de todos, deixando escapar em réstias, ao olhar e ao olvido, entre seguidos rojões, fragmentos de refregas e choques, que acompanham o surdo, duro e ritmado estrondo dos canhões.
Desconexas falas chegam, hoje, aos nossos ouvidos, em ruídos, pedaços de assertivas e rasgos de compactas afirmações, oriundas de lugares, de origens múltiplas, em um murmurinho como ondas que se espalham pelo teatro da guerra, reproduzindo e ampliando, no espelho, em reflexos, um acumulo de sentidos últimos de violência e uniformes.
Rompida a frágil ordem compensada da troca e da doação, rompida a fina casca de civilização, sobram a vista apenas os choques, fortes golpes, humilhações, amontoando-se, ao fim, pilhas de cadáveres sobre o chão.
Sempre e’ uma dificuldade, no meio do fragor da batalha, mesmo quando ela descortinada em panorama, ao longe, reconhecer os parâmetros e atores que comandam a sua organização, prever os seus próximos movimentos, somar a composição de diversas forcas em embate, estimar as decisões e antecipar os movimentos e o desfecho final.
Somente alguns sinais podem indicar, superficialmente, em suas exposições e brilhos, nas pequenas falas e discursos, em fatos e eventos, algumas manchas que sombreiam ou iluminam o futuro.
Sem mais luzes para indicar o caminho.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Esquina
Na dobra, perdi o lenço de
linho engomado,
portador de memórias desamparadas,
de noites e cheiros, dama da noite,
impressas em becos e iluminadas
avenidas.
Onde o bonde não mais
circula, nem mais um sonho,
Abandonados os trilhos e
suspensos, ate' outra ordem,
O brilho
de suas lanternas.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
lista
Muito perigoso ainda e quando mais tarde, mais frio se instala lá
fora, mais sozinho o percurso e estreito o caminho, mais no fim que no
meio, quando uma pedra e a selva escura não clareavam a lista direção ao
sol.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
viagem
desconheço o afeto e lembrança que deixei, a balburdia que agora espanta os espectros que ocuparam a casa vazia e os moveis traidores, que ao minimo abandono, me trocam por outra caricia, por outro corpo, por outra historia,
e assim lanço a minha casca bem longe, longe seus riscos, longe seus duros contornos, sem a obrigacao de suportar tanta memoria mais, deixado o campo a novos sulcos, sementes e alegres renascimentos, trigos em floracao e feixes de outras paixões.
me contento com a necessaire.
e assim lanço a minha casca bem longe, longe seus riscos, longe seus duros contornos, sem a obrigacao de suportar tanta memoria mais, deixado o campo a novos sulcos, sementes e alegres renascimentos, trigos em floracao e feixes de outras paixões.
me contento com a necessaire.
sábado, 22 de agosto de 2015
Ciume
"quando
meu corpo se apagar, quando a alma prevalecer sobre ele, quando eu me
desprender aos poucos das coisas materiais como naquela noite em que
estive muito doente, então não desejarei mais loucamente o corpo e
amarei tanto mais a alma, não sentirei mais ciúmes. Então amarei de
verdade”.
Marcel Proust
domingo, 9 de agosto de 2015
Dourados camaleões
De parte em parte, estar por
ai’, caminhando,
Suspenso, da vida em listas.
A vida e a dor, em do’, de
mim se afasta,
mas só depois;
mas só depois;
Que,
As folhas, amarelas,
em montes, se esparramam
pelos chãos.
De dourados camelões e (doces)suspiros
refiz um trecho de amor e perda.
E escuto, ponto a ponto, por
vias tortas,
memo'rias vão ficar.
sábado, 13 de junho de 2015
Habitar
Usar- ... que tanto pode querer dizer servir-se de como ter o ha'bito de- significa sempre oscilar entre uma pátria e o exílio: habitar.
Agamben
Agamben
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