sexta-feira, 8 de maio de 2020

caminho

ao lado caminho, ao lado pergunto
ao lado, sustento o frágil pulso,
e o gosto desfalece em delicados suspiros de atenção futura.

pronto, acertei no tento e aguardo o prêmio
lilás.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

chuva


ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
e.e.cummings

quando o isolamento, o corpo enfrenta o mal, cidade, recolho-me ao pequeno, estímulo e gosto, de molduras poucas e poucos toques, viajo em torno do quarto,
quando olho para atrás, aos lados, assustado, antecipo seu prematuro desaparecimento e fugaz, desconfio, que na arrumação apressada estão faltando peças ou deixado deslocado o arranjo anterior,
quando não importa as infinitudes do olhar, a profundidade da paisagem, dobro aposta ao fundo enevoado do mar,
aconteço.

Abril 2020

domingo, 15 de março de 2020

De um jeito doce



A gosma encontra um canto, revanche, diz,
supõem espreitar a curva destra que dissolve a escuridão, de longe
faz parte de um dia,
longo e infeliz dia,
de quando a luz desaparece de repente.

Descanso o braço junto ao mar, a brisa desmancha suaves montanhas de areia, escorre ponto a ponto, grão a grão, faz
a dobra, o drible do canhoto jeito de ser.

Ouvindo o canto, o vesperal vaza a noite, encanta o olhos a dormir,
sonolentos.




14 de marco de 2020

sábado, 4 de janeiro de 2020

11.11.11



Há cento e um anos, `as 11 horas do dia 11 de novembro de 1918, foi assinado o armistício que definiu o fim da primeira guerra mundial, a grande guerra.
Embora o Canada’ tenha sofrido, nesta guerra, um número relativamente baixo de perdas militares, 60 000, em um total mundial de 9 milhões de mortes de soldados e mais de 10 milhões de perdas civis, todo o ano, nesta hora, neste dia, neste mes, milhares de pessoas saem as ruas, ostentando nas lapelas, uma flor vermelha de papoula, de papel, como uma forma de lembrar este sofrimento e dor.
Mas porque este dia é ainda recordado, em um dia feriado, na província de Columbia Britânica, em um país e uma população, que aparentemente tenha sentido menos perdas, principalmente civis, que os países da Europa?
Ou quantas mortes serão necessárias para relembramos a inutilidade da violência das guerras?
Foi nos campos vermelhos de papoula, ao norte da Franca, que em irracionais batalhas de trincheiras, o sangue de milhões de jovens foi sacrificado, durante quatro anos, de 1914 a 1918, aos interesses imperialistas e expansionistas dos países europeus.
E foram os ódios, os desejos de revanche e vingança, restos da primeira guerra e da crise do capitalismo de 1929, que produziram as condições de crescimento do movimento nazista, geraram a segunda guerra mundial, a ampliação das mortes civis e militares, e o genocídio de judeus, ciganos, doentes e adversários políticos, que fez que contaram-se mais de 70 milhões os mortos, no segundo conflito global.
E mais guerras e conflitos violentos se seguiram.
Coreia, Vietnam, Iraque, e tantas outras, guerras civis e coloniais, em todo o século XX, multiplicando os mortos e desalojados, sofrimentos e desesperos.
Hoje as guerras não são mais globais. Ainda. Mas as violências de todo o tipos se espalham, ocupam nações inteiras, separam cidades e comunidades, atingem principalmente os mais fracos e incapazes, dividem, expulsam milhões `a migrações forçadas, pela miséria ou por preconceitos, ódios.
No mundo que a violência continua endêmica, em pequenas e grandes guerras, ampliam-se as agressoes contra as mulheres, contra os homossexuais, os negros e pobres, acirram-se disputas políticas e religiosas.
Nestas infinitas guerras diárias, não se erguem memorais, monumentos, não se comemoram feriados, não se movimentam multidões e não se incorporam símbolos, flores nas lapelas.

Kleber Frizzera
Novembro 2019

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

natal 2019

Curioso encaro a vida, o começo e o fim, 
e a cada parte que se move,
lanço um olhar inacabado.

A cidade e’ mais 
luminosa,
o sol
entre iguais e outros,
o vento
desfaz os pecados noturnos, 
lançados `a vala de desfeitos amores.

Na porta da rua, esperançosos os comerciantes,
pedintes, viajantes, atrasados contumazes
ao terceiro sinal da catedral,
aguardam dias melhores.

Natal 2019

sábado, 21 de dezembro de 2019

Lilases




Este lado, em paraíso, a rubra cobra desliza,
Em direção ao abril.
Desliza o silente dito
Em direção ao inverno.

Agrada-me, tão longe, supera-me, em falas,
Sem meios de respondê-la, o espelhado desejo, 
esgotado
Em outras passagens.

Em fim, sem fim, esvazio de lado,
O último pingo

Da amarga paixão.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

caminho

ao lado caminho, ao lado pergunto
ao lado, sustento o fra'gil pulso,
e o gosto na boca desfalece em delicados suspiros de atencao futura. 

pronto, acertei no tento e aguardo o premio
lila's