sábado, 21 de dezembro de 2019

Lilases




Este lado, em paraíso, a rubra cobra desliza,
Em direção ao abril.
Desliza o silente dito
Em direção ao inverno.

Agrada-me, tão longe, supera-me, em falas,
Sem meios de respondê-la, o espelhado desejo, 
esgotado
Em outras passagens.

Em fim, sem fim, esvazio de lado,
O último pingo

Da amarga paixão.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

caminho

ao lado caminho, ao lado pergunto
ao lado, sustento o fra'gil pulso,
e o gosto na boca desfalece em delicados suspiros de atencao futura. 

pronto, acertei no tento e aguardo o premio
lila's
 

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Ponto e linhas


Encostada ao muro, deixando flutuar,
a dama da noite recorta, 
a expectativa frustrada, o gesto interrompido,
o gosto esvaziado,
deixa de leve, seus espinhos em ponta, anunciar
frágeis peles e corações, desfeitas as listas de luz que indicam o caminho.
Encerrado. 

Sobram lembranças, afinais, desfeitos os tempos e espaços, outros e vazios humores, amores,
Deslocam-se em filas, em fitas, o pelotão.

Ponto e linhas.

Kleber
Agosto 2019

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Corpo




Doía, em cada perna, em cada braço, 
Em cada cabeça pulsava uma pressão desmedida.
Sofria a cada palavra, infame, em cada ódio estirado em longas tiras, 
Em cada gesto de força, de socos nas mesas e nos ares, 
Em cada dura pancada, em cada grito mudo.

Então devia, mas não, se encolhia,
Quando o medo e o desespero deixavam exalar o cheiro da dor, do sofrimento, o limite da morte, as agudas agulhas lentamente penetrando ponto a ponto em toda articulação.

Fugia, passos, correria, e cinzas as estradas não mais levavam a mais nada, a nenhum sentido, direção.
Direções.



29 julho 2019

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Hora de morrer

Todos estes momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. 
Hora de morrer.
Roy, em Blade Runner

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Então


Então diria, quem sabe, talvez, um dia, ontem, amanhã, 
e se viraria lentamente, deixando no ar um cheiro doce de perfume e suor.

O caminhão roncava se esforçando para subir a ingreme ladeira revestida de paralelepípedos. Aos seus lados, pessoas, embrulhos e largas bolsas, carregavam a casa as poucas compras de armazém e açougue. 
Crianças gritavam. 
Mulheres nas janelas, homens nas portas dos bares. 
Tardinha.

O olhar se desfazia em limites das montanhas, no fluido horizonte das superpostas casas e serras, muitos cinzas superpostos até o azul de inverno, retido no interior do casaco de lã. 

Sem recursos além, sobravam o jogo de bicho, a contagem, os favores de outrem.

Pernas e o corpo doíam, mantidos na desagradável postura, sem ganhos.



Kleber
Julho 2019

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Acertos e estranhamentos



 Onde o novo? 
Na cidade, de luzes e riscos prenhes de róseo futuro,
protegidas suas portas e muralhas pelo arcanjo, Miguel, 
ou nos intervalos, entre partes e frestas, onde ronda o vento, silva os ares e ocupam os gentios?
No embate público, macios interiores, tudo se acumula, tudo se multiplica em faltas e afetos,
E juntos, alinhados `as afecções coletivas, 
desejos escapam dos espectros,
exploram falas e gestos, inventam lados, 
que se alteram, se dobram rapidamente,
em coletivos e turbas desgarradas, em ordens ou dispersos escuros olhares cruzando ódio 
em contínua disputa de longos campos e montanhas.

Nada há nada a orientar, nem o tempo, nem o norte, nem a certa linha ou a reta direção, paralisados, 
determinada somente a vontade em esvair novidades e prazeres na noite perversa.
Que sobra?
Reflexos, olhares, desvios, e o gesto incompleto.


Kleber
Lisboa 2017
Vitória 2019