sábado, 24 de agosto de 2013
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Melhores
Esquilo...
responda-me, porque devo admirar um poeta?
Eurípides...
Por sua inteligência e seus conselhos,
e porque faremos melhores aos homens nas cidades.
Aristofanes
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Doce odor
Acabado o prazo de validade, no limite último da finitude material e humana, nas nossas cidades e vilas, edifícios e lugares tentam se manter vivos, escorados, ameaçados pelos desejos de novos projetos, fragilizados diante dos inexoráveis pesos e forças do destino.
Suportaremos os seus tristes fins, seus lentos desgastes e desmoronamentos, verteremos furtivas lágrimas sobre suas ruínas, e encerrados os atos expiatórios, perderemos definitivamente suas memórias e passados?
Deixemos-nos levar, como o rio que nunca mais retorna, de água e fluxo, ao mesmo ponto e margem, que nunca mais passara’ sob os arcos da mesma ponte de pedra, ou quando retesado o braço, esticaremos o arco a tempo, lançada a flecha contra os fragmentos entulhados, ocupados ao denso olhar.
Circulamos, então, aliviados, com prazeres melancólicos, nas suas ruas e becos históricos, aspirando, casa após casa, o doce odor das trepadeiras e glicínias, dos acontecimentos e da salvação, debruçadas seus galhos e espinhos no profundo recorte do tempo.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
A gloria de Aquiles
Façamos entao a determinada e inevitável guerra.
Levantemos com fortes bracos os escudos das resistências veladas, gravados a cinzel os momentos familiares, lembranças abandonadas.
Um viagem sem volta para uns, uma longa e perigosa jornada para outros, uma jornada de retorno ou de permanencia.
Navegar na direção da nova cidade, riscados no sitio seus limites, os recortes das muralhas e do amor.
Levantemos com fortes bracos os escudos das resistências veladas, gravados a cinzel os momentos familiares, lembranças abandonadas.
Um viagem sem volta para uns, uma longa e perigosa jornada para outros, uma jornada de retorno ou de permanencia.
Navegar na direção da nova cidade, riscados no sitio seus limites, os recortes das muralhas e do amor.
E do império, obrigados pelo destino, necessidade e pelo mito, expandimos seus limites, explodimos suas fronteiras, deixados submissos os estrangeiros e os irmaos, esmagados suas resistências e desejos de harmonia.
Se fico combatendo aqui em torno da cidade de Tróia nao terei mais volta; em compensação, uma gloria imperecível me espera. Se volto, ao contrario, para a terra da minha pátria, nao terei mais gloria; uma longa vida, em compensação, esta reservada para mim e a morte que tudo termina nao conseguira me atingir por muito tempo.
Ilíada, IX, 411-416
sábado, 1 de junho de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
Acontecimento
O q esqueci, tão rápido q já nem sei o motivo e o gesto, se original ou repetido?
Acho que esqueci o milagre que do abismo irrompe ao horizonte,`a luz, quando a ação inesperada, política, impossível, rompe a casca do ovo.
Me esqueci da perda.
No evento, onde se encandeiam os elementos do acontecimento, brilha o sentido.
Hannah Arendt, In Diario filosófico
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
A cólera de Aquiles
Cante, deusa, da ira, do filho de Peleu, Aquiles,
a amaldiçoada ira, que trouxe dor a milhares dos aqueus.
Ilíada, Homero,canto 1
Mas o que movimenta, agita e destrói esta raiva, uma cólera de origem, que do infinito presente já e’ feita e dita maldita, que ao primeiro movimento divide ao meio a alma e alarma o espirito, sangrados diante do sofrimento e da dor, diante da perda e da mortalidade, na ambígua duvida, determinada de começo, na dura escolha entre a a gloria imortal na batalha e a banal e insatisfatória satisfação na labuta cotidiana?
E a fala, qual a linguagem que sustenta o dia e depois o outro, consegue e ultrapassa o momento e a parte em cada instante, que faz descrever/ reviver a luta infinita, o embate sem tréguas onde deuses e homens negociaram, em combates e desejos, suas paixões e destinos imortais?
Levantemos nossas taças em saudação, expomos nossos assombros, refletimos contra os olhos, os brilhos, cristais e homenagens, para erguer, de pé, este brinde
....
Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.
( Mallarme’)
Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.
( Mallarme’)
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