sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Felicidade2




Feliz o homem 
Cujo espirito esta’ sempre sereno
Sem temer a Fortuna e aceitando o Destino.

Virgilio
As Georgicas


Felicidade




Creiam-me, essa era feliz precedeu os arquitetos.
....
Vivia-se sem temor sob aqueles tetos rústicos
A taipa cobria os homens livres; sob o mármore e o ouro, habita a servidão

Seneca, carta XC

domingo, 14 de outubro de 2012

a lei




Em um universo fragmentado nao ha’ logos que possa reunir todos os pedaços; nao ha’ lei que os ligue a um todo, nao ha’ um todo a redescobrir….. e no entanto ha’ uma lei; mas o que mudou foi sua natureza, sua função, sua relação. 
Na medida em que ela rege um mundo de fragmentos nao totalizáveis e nao totalizados,  se torna potência primordial,… a lei nao diz mais o que e’ bom, mas e’ bom o que diz a lei.
Ela adquire uma espantosa unidade, …. que e’ absolutamente vazia, unicamente formal, visto que ela nao nos permite conhecer nenhum objeto distinto, nenhuma totalidade, nenhum bem de referencia,… ao invés de juntar e adaptar partes, ela as separa, as compartimenta.
Nada nos possibilitando conhecer, a lei so’ nos mostra o que ela e’ marcando nossa carne ,…incogniscivel, a lei so’ se dar a conhecer quando aplica as mais duras sanções ao nosso corpo supliciado.


Gilles Deleuze



sábado, 15 de setembro de 2012

Linhas


  1. Sentidos embaraçados. 
  2. Limites e linhas em novelos enroladas, 
  3. cores e tintas, 
  4. em suaves campos de prazer e encantos.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vitoria, agosto 2012


E hoje, não há mais limites, referentes físicos a alcançar com os olhos ou com as pernas, a escalar em romaria, a espairecer no intervalo, a namorar na ponta do píer. 
Explodidos seus encontros em fragmentos, fronteiras excluem, separam, segregam os protegidos em ninhos de segurança controlados.  
As linhas e condutos são agora invisíveis, linhas astrais a percorrer ares e céus em ondas elétricas, magnéticas. 
Os nós se escondem em paredes guardadas, privadas, articulando vídeos e imagens, lugares de novos e múltiplos interesses carnais. 
A lua já não nasce mais na ponta de Tubarão.
Inevitável. 
Prefiro acreditar que os olhos verão, os pés a tatear, continuaremos cheirando a maresia e a terra molhada, e os ouvidos se embalarão em ondas quentes e úmidas como o repetido bater das ondas. 
Deixando a pele salgada queimar ao sol, no corpo as marcas da natureza e da história, nos olhos e coração gravados. 
E as redes de amor e compaixão serão mais fortes, como a vida, para poetizar o cotidiano nesta cidade presépio, superpondo, criando outras notas, abrindo múltiplos caminhos, reconhecendo o outro, os outros, me reconhecendo gente, como pessoa, nesta cidade  de Vitória, construída pelos homens e abençoada pelos deuses e Nossa Senhora da Penha.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Encarnado



  1. Esqueci que sofri, perdi a roda, o fio e a fala,
  2. o caminho e a ligação,
  3. perdi o lado, o perto e o longe, o próximo e o distante,
  4. o risco, desatei, sem volta,
  5. o laço encarnado.


sábado, 23 de junho de 2012

Inseguro.k


Queremos saber da paisagem, saber das matas e seus verdes segmentos se dobrando, em contínuos mantos, ao longo do infinito da montanha, escondendo seus fins contra o anil e as brancas nuvens em colmeias desdobradas.
Ouviremos juntos o ruído dos pássaros, do silvar do vento, de inúmeros farrapos e fragmentos das vozes em dialogo, em seus mais altos e mais ostentosos lugares. 
Mas,
me digam, onde se esconderam os meus passados, onde foram desligados os meus passos e perdidas as minhas marcas, onde abandonados os riscos profundos na madeira? 
Queremos lançar frescas mensagens aos que ainda nao vieram, aos que ainda nao chegaram, aos que ainda, talvez em futuro, em cada canto do mundo, sorverão os frutos doirados do sol. 
Inquietas e instáveis situações.
Permissões.
Os códigos e as leis divulgam o pecado e delimitam em mapas os movimentos e posturas, reduzem os corpos, suas danças recolhidas a contidos gestos repetidos de tanta ilusão.
E o poder. Final.
Quando estica a corda, 
Arrebenta a ordem e a fala.
Kleber Frizzera
abril 2012
maio 2012